Indústria musical procura conter efeitos da IA no setor

Indústria musical procura conter efeitos da IA no setor

Perante a ascensão da inteligência artificial, a indústria musical ainda procura uma forma de a combater e responde de forma dispersa, com ferramentas para detetar faixas ou através de acordos com empresas de IA para compensar os artistas.

Lusa /
Foto: YouTube

Desde quinta-feira, bastam alguns cliques para que os utilizadores dos serviços de streaming descubram se existem faixas 100% geradas por IA escondidas nas suas playlists.

Esta ferramenta gratuita foi lançada pela plataforma Deezer, convencida de que "a maioria das pessoas quer saber se a música gerada por IA lhes está a ser recomendada".

Estas faixas estão a tornar-se cada vez mais numerosas e sofisticadas: em janeiro de 2025, 10.000 faixas deste tipo eram entregues diariamente à plataforma francesa e, agora, recebe sete vezes mais, representando quase metade de todas as faixas enviadas num único dia.

Para além dos mais populares, Suno e Udio, existem inúmeros outros geradores, como o ProducerAI, adquirido pela Google, o Fugatto (Nvidia) e o ElevenLabs, valorizado pelas suas capacidades de clonagem de voz.

Esta vertente musical permanece praticamente desconhecida, representando entre 1% e 3% do total de reproduções, segundo o Deezer.

Perante este `oceano de IA`, algumas faixas conseguem destacar-se. Nos Estados Unidos, as músicas country de artistas como Breaking Rust e Aventhis, criadas com o uso de IA, estão a subir nas tabelas musicais. Em França, "Magique", de Willy l`Ancien, é um grande sucesso.

Representantes do setor (produtores, editoras, organizações de gestão coletiva) estão a denunciar o uso indevido em larga escala de obras para treinar modelos de IA, sem qualquer respeito pelos direitos de autor.

"A criatividade é o que nos torna humanos e deve ser ativamente protegida", alertou a Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (ICC), que representa cinco milhões de criadores, no início de junho.

A IA já está a ser utilizada na criação de música, videoclipes e imagens projetadas durante os concertos.

"Não somos contra a inovação, mas a festa acabou, esta recolha ilegal de conteúdos culturais tem de parar", insiste a senadora francesa Laure Darcos (Libres), autora de um projeto de lei que foi aprovado por unanimidade no Senado.

O projeto estipula que, em caso de litígio, os fornecedores de IA teriam de provar que a sua utilização de conteúdos culturais não é ilegal, noticiou a agência France-Presse (AFP).

O Spotify, por sua vez, em parceria com a Universal Music Group, apresentou no final de maio uma funcionalidade paga que permitirá aos utilizadores criar remix e covers de faixas de artistas da editora, com recurso à IA.

Atualmente, os contratos de licenciamento são a única via para a indústria musical, cujas ações legais não têm apresentado avanços significativos.

Por exemplo, as grandes editoras discográficas Universal e Warner anunciaram acordos com a Udio.

A regulação deste fluxo cabe também aos agregadores, os distribuidores que entregam as faixas às plataformas de áudio.

A TuneCore, uma das principais empresas deste setor, distribui agora apenas música criada através de modelos generativos de IA treinados com dados licenciados, como confirmou a sua empresa-mãe, a Believe, no início de junho.

 

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